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<detalhes do livro>
Nem os Mais Ferozes
Edward Bunker
Nem os mais ferozes, primeiro romance de Edward Bunker, foi lançado nos Estados Unidos em 1973, quando o autor tinha quarenta anos, dois anos antes de ele sair definitivamente de San Quentin, a mais antiga e famosa prisão estadual da Califórnia.
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Nem os mais ferozes, primeiro romance de Edward Bunker, foi lançado nos Estados Unidos em 1973, quando o autor tinha quarenta anos, dois anos antes de ele sair definitivamente de San Quentin, a mais antiga e famosa prisão estadual da Califórnia.

Bunker começou a escrever aos dezenove anos, quando cumpria sua primeira pena em San Quentin, incentivado pela publicação da obra de Caryl Chessman, um detento que aguardava no Corredor da Morte. Sem dinheiro para a postagem dos originais, teve que vender seu sangue para conseguir alguma verba. Seu reconhecimento, ainda que tardio, pela crítica e pelo público fez com que Bunker tivesse um destino diferente daquele de Max Dembo, o protagonista de Nem os mais ferozes.

Tendo conseguido sua liberdade condicional depois de oito anos de pena em San Quentin, Max Dembo estava disposto a conseguir um emprego e ganhar sua vida honestamente, de acordo com os padrões vigentes. Mas os problemas começam a rondá-lo no momento em que ele se apresenta ao agente da condicional.

Dividido em três partes, o livro traz pontos de virada vertiginosos e captura o leitor com uma visão contundente sobre crime e punição.

Em 1978, Nem os mais ferozes foi transformado em um filme chamado Liberdade Condicional [Straight Time], dirigido por Ulu Grosbard e estrelado por Dustin Hoffman.

Nota do Designer
Segunda capa da série, este livro de Edward Bunker segue os padrões de Cão come cão, na tipografia e na diagramação, apresentando uma nova cor de fundo na capa e reposicionando alguns elementos da lombada de forma a dar um ritmo ao futuro conjunto. Acomodar o título de 4 palavras ao layout básico não foi difícil, mas exigiu outro posicionamento da (esquemática) mancha de sangue. No miolo, a única diferença em relação ao primeiro livro são as partes, que se abrem com epígrafes, suficientemente solenes para compartimentar a história. Sem orelha como o resto da coleção de policiais de Bunker, o paper back tipo pulp fiction se mantém com aspecto "popular", algo que vai ao encontro dos objetivos da editora para este autor.
Nota do Tradutor

Talvez o maior desafio da tradução de "Nem os mais ferozes" tenha sido manter compromisso com a falsa simplicidade do estilo de  Edward Bunker. Muitas obstáculos surgiram, por exemplo, na análise  frase a frase de suas cenas de ação tensas. Além disso, apesar de ter  como cenário o submundo de Los Angeles e conter ocasionalmente gírias  e diálogos coloquiais, o vocabulário de Bunker é bastante requintado e  variado. O equilíbrio entre os dois registros é um dos elementos  cruciais de seu estilo que procurei preservar na tradução. E o título  em português só foi obtido após longo debate com os editores. O  original, "No beast so fierce", é uma citação a Shakespeare, Ricardo  III, Ato I Cena 2: "No beast so fierce but knows some touch of pity."  Algo como: não há besta, por mais feroz, que não traga em si algum traço de  piedade

Daniel Galera.

Ficha técnica
Título: Nem os Mais Ferozes
Autor: Edward Bunker
Gênero: Romance
Editora:
Barracuda
Capa: 14x21 cm
Número de páginas: 360
Preço: R$ 39.00
ISBN: 85-98490-09-1

15 comentários
29/05/2008 @ 12:17 15
  www.fotolog.com/menina_delata
Fantástico! Eletrizante do começo ao fim. Uma cadencia literaria muito forte. Vale cada linha!
04/10/2006 @ 09:50 14
Só elogios a Daniel Galera pela tradução de Nem os mais ferozes. A pegada do Bunker é de uma finura só, sua escrita é um filme.
Abraços
05/09/2006 @ 19:46 13
  http://loucuraconteporanea.blogspot.com
Costumo desconfiar de recomendações, mas o entusiasmo e a autenticidade do representante da editora que me atendeu na recente feira de livros em São Paulo (sei que tinha outro nome, mas é o melhor que minha memória pode fazer) me conveceram. Lembro que ele me disse para ligar para a editora, caso não gostasse do livro, mas só posso pegar o telefone para agradecer. O livro é mesmo do %$#$#!, quer dizer, excelente. No embalo, já devorei "Cão come Cão" e aguardo os futuros lançamentos (prometidos pelo mesmo atendente gente boa que não lembro o nome).
Quanto ao livro propriamente dito, é incrível como o autor consegue descrever a inevitabilidade de seu retorno ao crime, sem sentimentalismo nem exagero, dosando os sentimentos. Essa espécie de força superior que permeia a trajetória do personagem é fascinante, principalmente porque Bunker não se deixa cair nas armadilhas do lugar-comum. Ele é uma vítima, sim, mas também culpado. Em uma palavra, humano. Tudo isso descrito através de uma prosa simples e poderosa. Mais uma vez, desconhecido atendente, muito obrigado.
31/10/2005 @ 23:33 12
Esse livro vale a pena. É muito bom!!! Adorei!
29/07/2005 @ 14:09 11
  http://contrera.blogspot.com
Bunker não faleceu. Está comigo, embora me mantenha de pé a muito custo e inteiramente desolado.
15/06/2005 @ 10:50 10
Nota 10. o mais assustador é perceber que embora escrito há 30 anos, o livro é atualíssimo. O mundo não mudou. Piorou. Impossível não simpatizar com Max dembo, apesar de criminoso e assassino. Afinal, de quem é a culpa pela situação dele? estou lendo Cão come cão, do mesmo autor. as referências tbem são ótimas.
06/06/2005 @ 17:29 9
  http://www.portaooito.blogger.com.br
Acabei de comprar. Li apenas o prefácio. me foi muito bem recomendado. Depois que terminar, comento.
Freddy Bilyk 10/05/2005 @ 14:20 8
  http://www.marola.ebarracuda.com.br
Ronaldo.
A marcada fora percebida aqui também. Mas não se preocupe. O livro é bravo.
10/05/2005 @ 13:42 7
Acabo de receber este livro (comprei pela internet) e, apesar de tudo que li sobre ele ser excelente e estar ansioso para iniciar a leitura, devo dizer que decepcionei-me com o que vi na sua capa. O comentário do Quentin Tarantino foi grafado como "...escrito em primeia pessoa...". Isso mesmo, primeia, na capa.
31/03/2005 @ 14:04 6
  http://www.altiro.com.br
Procurei este livro na La selva e não encontrei. Só havia rastro de destruição: Paulos Coelhos, Códigos da Vinci e por aí vai. Fui achá-lo numa livraria. Excelente. Achei que depois de Henry Miller poucos pudessem abalar meus salões paradigmáticos. Bunker conseguiu.
Freddy Bilyk 30/03/2005 @ 10:41 5
  http://www.marola.ebarracuda.com.br
A nota é para dizer que os livros do Bunker estão nas lojas da Siciliano. Na La Selva dos aeroportos também.
19/02/2005 @ 23:08 4
  http://contrera.blogspot.com
Não para qualquer um

Rodrigo Contrera *

Poucos de nós podemos nos dar ao luxo de criticar (ou mesmo resenhar), em seus próprios termos, os vários livros escritos por Edward Bunker (nascido em 1933, em Hollywood) desde a década de 70, dois dos quais (Cão Come Cão e Nem Os Mais Ferozes) já estão entre nós, pelas mãos da Editora Barracuda (www.ebarracuda.com.br).
Por que isso? Uma coisa é avaliar um livro de ficção pelas suas características intrínsecas (enredo, personagens, linguagem etc.); outra é avaliar ficções derivadas de vidas pregressas inexpugnáveis, como do próprio autor, criminoso condenado a passar 30 de seus 40 primeiros anos em presídios de segurança máxima. Como avaliar um personagem criado por Bunker se não temos a menor idéia de como são esses caras na vida real? Como rotularmos de "exagerado" ou implausível certo personagem que existiu de fato ou de incoerente certa trama retirada de fatos reais vivenciados, como criminoso, pelo próprio Bunker? Torna-se difícil criticar obras cuja verossimilhança escapa à nossa mais remota vivência.
Claro, podemos criticar o escritor Bunker, que - ao menos confiando no relato de William Styron, que prefacia ambos os livros - não teve o menor resquício de educação formal. Vamos lá, então. Antes de mais nada: Bunker sabe escrever, o que aprendeu a duras penas lendo o que podia em San Quentin. Mais: Bunker narra muito bem, não se limitando, enquanto escritor, a cenas de ação ou descrição de eventos em linguagem de baixo calão, como qualquer um poderia imaginar. Como argumento, basta um exemplo. Cão Come Cão praticamente começa com Mad Dog McCain, um dos principais personagens, aspirando e depois injetando cocaína na veia. A descrição, realizada com diversos recursos complexos de estilo, como mudanças radicais de referência, introspecções delirantes em meio a tosca brutalidade, termina com o assassinato, por ele mesmo, da própria mulher e filha. É de se duvidar que alguém venha a querer usar cocaína a partir do relato de Bunker. Cenas como essa, contudo, não são exceção: multiplicam-se tanto em Cão Come Cão quanto em Nem Os Mais Ferozes. Sejamos sinceros: certos trechos haveriam de dar inveja a sujeitos do porte de Jim Thompson, um dos maiorais do gênero (até nisto há um quê de inédito em Bunker, pois como rotular "policial" um romance cujo "herói" é um criminoso?) ou mesmo roteiristas de altíssimo nível (como a dupla Charles Brackett e Billy Wilder, em Farrapo Humano, por exemplo). Em tempo: Bunker é também roteirista premiado.
Os enredos de Cão Come Cão e Nem Os Mais Ferozes são bem simples, simplórios até. O primeiro livro (quarto de Bunker) narra os preparativos e fuga após um assalto a mão armada contra... assaltantes. Pois, para não serem pegos, Troy, Diesen e Mad Dog, os "heróis" do livro, preferem roubar traficantes que não podem, claro, chamar a polícia e não têm como achar seus inimigos. A trama de Nem Os Mais Ferozes (o primeiro de Bunker, lançado originalmente em 1973) é ainda mais prosaica. Em liberdade condicional, Max Dembo, ex-condenado, tenta desesperadamente não voltar à vida de crimes. É claro que não consegue.
Certos livros a gente engole de uma vez só e logo em seguida esquecemos. Pois não é o que acontece com os personagens e algumas cenas (cinematográficas) de Cão Come Cão e Nem Os Mais Ferozes. McCain, em toda sua loucura perversa, permanece em nós; Diesel, em sua idolatrada relação com Troy, inspira-nos certa compaixão até o último momento; chegamos até a torcer por Troy, que a todo momento só se preocupa de verdade com ele mesmo. Max Dembo, de Nem Os Mais Ferozes, torna-se - pena dizer - quase um amigo, apesar de sua moralidade discutível e práticas deploráveis. Pois como não nos identificarmos com um sujeito que, desesperado, não aceita ficar mofando três semanas em uma cela só porque seu agente da condicional entrou em férias? Iria mais além: assim como não a atual tradição de filmes de ação não ousa se esquecer de certos filmes de Sam Peckinpah (Meu Ódio Será Sua Herança, Sob O Domínio do Medo, Pat Garrett e Billy The Kid, por exemplo), não haveríamos por que ousá-lo com respeito a moral amoral de Edward Bunker e companhia.
Antes que eu me esqueça: 1) Nem Os Mais Ferozes foi filmado em 1978 com Dustin Hoffman como Max Dembo. O filme chama-se Straight Time, ou Liberdade Condicional. Os aficionados devem querer saber que, ao realizar o filme, Hoffman queria independência no roteiro, algo que o estúdio não cumpriu e que, ao ser acionado na justiça, retaliou com péssima divulgação. 2) Ainda sobre Straight Time, existe um documentário de 25 minutos sobre os bastidores do filme, do qual participaram Bunker e colegas de "profissão" (ex-marginais). 3) Fogo contra Fogo, um dos melhores filmes de Michael Mann, tem um personagem baseado, como forma de homenagem, no Bunker marginal (é o agenciador de crimes interpretado por Jon Voight). 4) Bunker, o próprio, é o Mr. Blue de Cães de Aluguel, sujeito atarracado que embora mal apareça consegue dar o tom à antológica primeira seqüência do filme. 5) Em Cães de Aluguel, Bunker foi contratado à última hora por Tarantino, que o viu nas seqüências de filmagem de Straight Time. 6) Bunker participa em diversos outros filmes, com destaque para Expresso para o Inferno e Tango & Cash. Em Expresso, Bunker, além de ser co-autor do roteiro (criado por Akira Kurosawa, que não conseguiu filmá-lo), incorpora o papel de um condenado (Jonah) que aparece como mentor intelectual do personagem principal interpretado por Jon Voight. Em Tango & Cash, uma comédia, Bunker faz uma ponta como delegado, chefe de Cash (Kurt Russel), que, se não exagero, rouba a cena sempre que aparece. 7) Autor do livro Animal Farm, mais completo relato sobre sua estadia no sistema prisional, Bunker deu origem a filme do mesmo nome dirigido por Steve Buscemi (que por razões óbvias dispensa apresentações).
Sobre o livro: Ainda no terreno desta resenha crítica, o editor precisa se preocupar com as revisões dos livros: os erros são irritantes. E, falando no diabo... Alfred Bylik, proprietário da Editora Barracuda, diz em seu blog que pretende lançar mais dois livros de Bunker em 2005: sua autobiografia (Mr: Blue: Memoirs of a Renegade e Little Boy Blue). Boa sorte a ele. Estou à espera.

* Jornalista. Esta resenha está sendo aprimorada para aparecer como ensaio em revista ou internet.
18/02/2005 @ 19:32 3
  http://contrera.blogspot.com
Caro Freddy,
Entendo o argumento, embora discorde. Se me permite, prefiro não polemizar. Minha colocação não teve, claro, de forma alguma a intenção de desmerecer a tradução, que - apesar de minhas observações - no geral agradou. Sem mágoas?
Contrera
Freddy Bilyk 19/01/2005 @ 18:51 2
  http://www.marola.ebarracuda.com.br
Gazear é "great". Ajuda a colocar a obra na década adequada. Tem nota do tradutor na ficha do livro aqui.
20/12/2004 @ 20:17 1
  http://contrera.blogspot.com
Devo ser o primeiro sujeito a comprar e ler Nem os mais ferozes em Sampa. Ainda não acabei mas estou gostando, com trechos antológicos, sem exagero, no sentido universal da literatura - não necessariamente policial. A tradução, assim como Cão Come Cão, deixa a desejar em fluência e verossimilhança (alguém ainda diz "gazear" para cabular aulas?. Está no Cão Come Cão, no começo, acho que primeiro capítulo).
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