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O Banquete marca o encontro entre o cartunista Caco Galhardo e o escritor Marcelo Mirisola. O cartunista ofereceu ao escritor algumas das imagens de sua série de desenhos eróticos femininos periodicamente publicada na estação de humor do site UOL — as Gostosas. O escritor, por sua vez, selecionou trinta “mulheres”, batizou 29 delas e criou uma história para cada uma. (A trigésima ele deu de presente ao seu amigo, o teatrólogo Mário Bortolotto, que tem uma participação especial neste livro.) As oitenta páginas que compõem o livro são, assim, preenchidas por belos desenhos em quatro cores e narrativas breves e variadas: perfis, situações, lembranças, declarações e pensamentos esparsos em torno do embate sedutor entre o imaginário feminino e masculino. A verve de Mirisola, aclamado por seus livros anteriores — Fátima Fez os Pés para Mostrar na Choperia, O Herói Devolvido, O Azul do Filho Morto e Bangalô —, e o traço certeiro de Caco Galhardo — famoso como autor dos Pescoçudos — transformam este Banquete num deleite literário. Para completar, após o posfácio assinado por Galhardo, numa explicitação do caráter, por princípio, interativo do livro, um convite ao leitor: que ele envie um e-mail para a editora oferecendo um nome e uma história à trigésima primeira mulher do livro. As melhores narrativas ficarão disponíveis à leitura no site da Editora Barracuda: www.ebarracuda.com.br Trechos: ANTONIA E se ela, com um sorriso interesseiro e intrometido, tudo muito “um dia depois do outro”, realmente aparecer? E se ela, ensolarada e maconheira, tirar a camiseta, jogar os coturnos na minha cabeça e me cobrar “aquele mico em Parati”? E se ela, com a mesma inflexão da chegada, me perguntar: “Você ainda tá a fim?”? MAÍSA Minha dentista. Quase tímida se não fosse meio caipira (ou vice-versa), delicada e inexplicavelmente casada com um brucutu. Apanha. O tratamento de canal mais triste da cidade. DINA Eu era o seu ……………. Ela era o meu Abaporu. A palavra “intimidade” é a mais obscena do léxico, repugnante no plural, “nossas intimidades”, e inverossímil em qualquer situação, seja morfológica, atmosférica ou erótica. Será que já não bastava nosso amor? SÔNIA Na festa ela inventou uma desculpa para não me querer. Também não passei das generalidades. Ontem, no café da manhã, ela me retribuiu com um sorriso. “Aí tem coisa” — pensei, e pedi a geléia de morango. Tantas delicadezas que até parece uma bobagem dizer que fomos casados durante tanto tempo. Se fosse pra recomeçar… eu partiria dos pezinhos. |